Partes do meu mundo

quinta-feira, 31 de março de 2011

O mito da caverna

Imaginemos uma caverna separada do mundo externo por um alto muro. Entre o muro e o chão da caverna há uma fresta por onde passa um fino feixe de luz exterior, deixando a caverna na obscuridade quase completa. Desde o nascimento, geração após geração, seres humanos encontram-se ali, de costas para a entrada, acorrentados sem poder mover a cabeça nem locomover-se, forçados a olhar apenas a parede do fundo, vivendo sem nunca ter visto o mundo exterior nem a luz do Sol, sem jamais ter efetivamente visto uns aos outros nem a si mesmos, mas apenas sombras dos outros e de si mesmos porque estão no escuro e imobilizados. Abaixo do muro, do lado de dentro da caverna, há um fogo que ilumina vagamente o interior sombrio e faz com que as coisas que se passam do lado de fora sejam pro jetadas como sombras nas paredes do fundo da caver na. Do lado de fora, pessoas passam conversando e car regando nos ombros figuras ou imagens de homens, mulheres e animais cujas sombras também são projeta das na parede da caverna, como num teatro de fanto­ches. Os prisioneiros julgam que as sombras de coisas e pessoas, os sons de suas falas e as imagens que trans portam nos ombros são as próprias coisas externas, e que os artefatos projetados são seres vivos que se movem e falam.Os prisioneiros se comunicam, dando nome às coisas que julgam ver (sem vê-Ias realmente, pois estão na obs curidade) e imaginam que o que escutam, e que não sabem que são sons vindos de fora, são as vozes das pró prias sombras e não dos homens cujas imagens estão projetadas na parede; também imaginam que os sons produzidos pelos artefatos que esses homens carregam nos ombros são vozes de seres reais.Qual é, pois. a situação dessas pessoas aprisionadas? Tomam sombras por realidade, tanto as sombras das coi sas e dos homens exteriores como as sombras dos artefa tos fabricados por eles. Essa confusão, porém, não tem co mo causa a natureza dos prisioneiros e sim as condições adversas em que se encontram. Que aconteceria se fossem libertados dessa condição de miséria?Um dos prisioneiros, inconformado com a condição em que se encontra, decide abandoná-Ia. Fabrica um instru mento com o qual quebra os grilhões. De início, move a ca beça, depois o corpo todo; a seguir, avança na direção do muro e o escala. Enfrentando os obstáculos de um cami nho íngreme e difícil, sai da caverna. No primeiro instante, fica totalmente cego pela luminosidade do Sol, com a qual seus olhos não estão acostumados. Enche-se de dor por causa dos movimentos que seu corpo realiza pela primei ra vez e pelo ofuscamento de seus olhos sob a luz externa, muito mais forte do que o fraco brilho do fogo que havia no interior da caverna. Sente-se dividido entre a incredulidade e o deslumbramento. Incredulidade porque será obri gado a decidir onde sé encontra a realidade: no que vê ago ra ou nas sombras em que sempre viveu. Deslumbramento (literalmente: ferido pela luz) porque seus olhos não con seguem ver com nitidez as coisas iluminadas. Seu primei ro impulso é o de retornar à caverna para livrar-se da dor e do espanto, atraído pela escuridão, que lhe parece mais acolhedora. Além disso, precisa aprender a ver e esse aprendizado é doloroso, fazendo-o desejar a caverna on de tudo lhe é familiar e conhecido.Sentindo-se sem disposição para regressar à caverna por causa da rudeza do caminho, o prisioneiro permanece no exterior. Aos poucos, habitua-se à luz e começa a ver o mundo. Encanta-se, tem a felicidade de finalmente ver as próprias coisas, descobrindo que estivera prisioneiro a vi da toda e que em sua prisão vira apenas sombras. Dora vante, desejará ficar longe da caverna para sempre e luta rá com todas as suas forças para jamais regressar a ela. No entanto, não pode evitar lastimar a sorte dos outros prisioneiros e, por fim, toma a difícil decisão de regressar ao subterrâneo sombrio para contar aos demais o que viu e con­vencê-los a se libertarem também.Que lhe acontece nesse retorno? Os demais prisioneiros zombam dele, não acreditando em suas palavras e, se não conseguem silenciá-lo com suas caçoadas, tentam faze-lo espancando-o. Se mesmo assim ele teima em afirmar o que viu e os convida a sair da caverna, certamente aca­bam por matá-lo. Mas, quem sabe alguns podem ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidir sair da caverna rumo à realidade. O que é a caverna? O mundo de aparências em que vi­vemos. Que são as sombras projetadas no fundo? As coi sas que percebemos. Que são os grilhões e as correntes? Nossos preconceitos e opiniões, nossa crença de que o que estamos percebendo é a realidade. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz do Sol? A luz da verdade. O quê é o mundo iluminado pelo sol da verdade? A realidade. Qual o instrumento que liberta o prisioneiro rebelde e com o qual ele deseja libertar os ou tros prisioneiros? A Filosofia.


(Interpretação de Marilena Chauí - Livro "Convite à filosofia")



sexta-feira, 25 de março de 2011

Atenção, carinho, desespero

É bom, é agradável, é uma necessidade do ser humano, ter alguém, que na teoria o complete. Que na teoria, o proteja. Eu como ser humano, composto de sentimentos e emoções, sinto essa necessidade. Sinto que preciso, constantemente, que alguém afirme, reafirme, que me ama, que quer continuar a "cuidar" de mim.
Eu, como alguém que sente, preciso estar rodeada de amigos, de pessoas que me queiram bem, que me compreendam, se não, pelo menos tentem me compreender, tentem me ver, mesmo que um tanto superfícialmente, mas que me notem.
Agora, pare para pensar, você também sente essa necessidade de se sentir protegido, e de ser visto, notado. Vai negar?
Porém, há várias maneiras de "gritar" por atenção. E as pessoas não sabem como chamar a atenção dos outros, de forma saudável, partindo para o que poderíamos chamar de apelação.
Um exemplo, é esse tipo de mulher que sai pelas festas, extrapolando limites. Algumas dançam rebolando-se até o chão, numa atitude desesperada de ser notada. Outras esperam, ou não, que um homem acompanhado fique por alguns instantes só, e vai lá, dar seu showzinho de exibição.
Esse é só um exemplo simples, e bem comum.
Mas se pararmos para analisar essa situação. Uma mulher dessa, agindo de tal forma, conseguirá atingir seu objetivo, que é sentir-se notada, e protegida? Sinceramente, não.
Ninguém quer alguém que apele. Ela pode sim chamar atenção de alguns homens, mas no fundo eles dizem: "Olha, a coitada. Precisa de uma cena dessa pra que alguém olhe-a?"
Finalizando, sentimos sim, necessidade dos outros. Mas não precisamos de atitudes desesperadas para sermos lembrados e notados.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Cansei

"- E a tendência é piorar. Isso é só o começo.

-Quem escolheu foi você."

Ai, como estudar é difícil.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Loucura?

Lógico que sou louca...

Todos somos loucos.

Você ainda tem alguma dúvida disso?

Quer que eu comprove?

Então me responda: Quem em sã consciência, aceitaria vir a um mundo como esse? Onde não há respeito, onde não há ordem. Somente guerras, preconceitos, brigas tolas.

Convenci?

Ainda não?

Definitivamente, és mais louco do que eu pensei.

terça-feira, 22 de março de 2011

Eu aprendi que...

"A cultura é o que permite aprender e conhecer. Porém, também é o que impede de aprender e conhecer."

domingo, 20 de março de 2011

Eu sei que a gente se acostuma.

Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduiche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
Agente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.

Droga!!!

E você simplesmente, me faz mal. É pior do que qualquer droga lícita, ou ilícita. Tem um efeito muito mais forte, e rápido também. E eu acabei me tornando dependente dessa "droga" que você é.
As vezes queria te esquecer, mas já não é possível. Outras, porém, só queria morrer, para assim, só e somente assim, me ver livre dessa terrível dependência, que me mata aos poucos.
O amor há tempos, para mim deixou de ser saudável, hoje só me corrói por dentro. Assim como um cigarro corrói o pulmão.
Não, não como o cigarro, bem pior. I-N-C-O-M-P-A-R-Á-V-E-L, C-O-R-R-O-S-I-V-O, D-O-L-O-R-I-D-O.
Mas eu vou te dizer, um dia eu me livro desta "droga" de amar você.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Essa mulher é um gênio

Divã

Sou eu que começo? Não sei bem o que dizer sobre mim. Não me sinto uma mulher como as outras. Por exemplo, odeio falar sobre crianças, empregadas e liquidações. Tenho vontade de cometer haraquiri quando me convidam para um chá de fraldas e me sinto esquisita à beça usando um lencinho amarrado no pescoço. Mas segui todos os mandamentos de uma boa menina: brinquei de boneca, tive medo do escuro e fiquei nervosa com o primeiro beijo. Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu hermafroditismo cerebral. Adoro massas cinzentas, detesto cor-de-rosa. Penso como um homem, mas sinto como mulher. Não me considero vítima de nada. Sou autoritária, teimosa e um verdadeiro desastre na cozinha. Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia. Vida doméstica é para os gatos.Nossa, pareço uma metralhadora disparando informações como se estivesse preenchendo um cadastro para arranjar marido. Ponha na conta da ansiedade. A propósito, tenho marido e tenho três filhos.

Sou professora, lecionei por muitos anos em duas escolas, mas depois passei a me dedicar apenas às aulas particulares, ganho melhor e sobra tempo para me dedicar à minha verdadeira vocação, que são as artes plásticas. Gosto muito de pintar, montei um pequeno ateliê dentro do meu apartamento, ali eu me tranco e é onde eu consigo me encontrar. Vivo cercada de pessoas, mas nunca somos nós mesmos na presença de testemunhas. 
Às vezes me sinto uma mulher mascarada, como se desempenhasse um papel em sociedade só para se sentir integrada, fazendo parte do mundo. Outras vezes acho que não é nada disso, hospedo em mim uma natureza constestadora e aonde quer que eu vá ela está comigo, só que sou bem-educada e não compro briga à toa. Enfim, parece tudo muito normal, mas há uma voz interna que anda me dizendo: "Você não perde por esperar,Mercedes." É como se eu tivesse, além de uma consciência oficial, também uma consciência paralela, e ela soubesse que não vou segurar minhas ambigüidades por muito tempo.

Tenho um cérebro masculino, como lhe disse, mas isso não interfere na minha sexualidade, que é bem ortodoxa. Já o coração sempre foi gelatinoso, me deixa com as pernas frouxas diante de qualquer um que me convide para um chope. Faz eu dizer tudo ao contrário do que penso: nessa horas não sei aonde vão parar minhas idéias viris. Afino a voz, uso cinta-liga, faço strip-tease. Basta me segurar pela nuca e eu derreto, viro pão com manteiga, sirva-se.

Sou tantas que mal consigo me distinguir. Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna, delicada. Acho que sou promíscua, doutor Lopes. São muitas mulheres numa só, e alguns homens também. Prepare-se para uma terapia de grupo.

sábado, 12 de março de 2011

terça-feira, 8 de março de 2011

Eu não preciso

que você me escolha quando precisa de um beijo, eu quero que a primeira pessoa que você pense quando precisa de um abraço, seja eu. Eu não preciso que você me chame pra sair pra balada, eu quero que quando você chegar em casa, você me ligue contando o quanto se divertiu mas que não pode dormir sem ouvir minha voz dizendo pra você dormir bem. Eu não preciso que você fique comigo 24 horas por dia, eu quero que todos os nossos momentos juntos você guarde pra sempre na sua memória. Eu não preciso que todo mundo saiba de nós dois, eu só quero que quando alguém te perguntar quem é a pessoa que te faz bem, você pense logo em mim. Eu não preciso que você fique dizendo o tempo todo que me ama, eu só quero que você acorde pensando em mim. Eu não preciso que seja pra sempre, eu só quero que quando seus filhos te perguntarem quem foi a pessoa que você mais amou, você diga à eles que apesar de tudo, sabe que a fez feliz.







sexta-feira, 4 de março de 2011

Realizando

"Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade."


Foi isso que fizemos, sonhamos, e agora, aos poucos estamos realizando-os.
E eu tinha que de alguma forma, demonstrar toda a minha gratidão a Deus, pelos nossos sonhos que estão se tornando realidade, porque nada acontece sem o consentimento divino.
Ninguém é tão inteligente, sem que Deus consinta essa inteligência, lógico que temos a opção de escolher, mas nada acontece sem que Deus permita.
Então, finalizando, obrigada meu Deus, por ter nos permitido mais essa vitória.




A dor que dói mais

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas. 
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.