Partes do meu mundo

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Devaneios #8




Passou-se o final de semana, ela não o viu, nem teve notícias suas. Decidiu esperar, ver se a vida lhes proporcionaria um por acaso, e foi o que aconteceu, por acaso ela comprou chocolates, por acaso ele chegou atrasado, mas veio em sua direção. Falaram-se, sobre a mudança dele, e então como que por acaso ele lhe perguntou de seu presente de despedida, e então ela pegou e lhe entregou um dos chocolates, ele sorriu, ficou sem saber como responder, agir, então, lhe olhou nos olhos e abraçou, agradecendo.

Ela não soube como reagir, retribuiu o abraço e sorriu desconcertada, despediram-se, e por um pequeno longo instante, ela se sentiu extasiada, interessante e querida por ele.

Conforme os dias passaram, ela percebeu que não foi só um impulso dele, mas que ele realmente se interessava por ela, de alguma forma, mesmo que somente como amiga, e que ela lhe era queria, que não precisava se preocupar, ele de alguma forma sentia algo por ela.

Um simples chocolate lhes aproximou tanto, e aquele momento não saiu mais da sua mente, ela sempre que pensava nele, lembrava de seu abraço, e como se não bastasse UM abraço para lhe extasiar, ele passou a todo dia lhe abraçar, lhe lembrar de como lhe é querida.

Me dá um tempo!




Não tem ninguém, e se esse fosse o motivo, seria até menos dolorido.

O problema é que não conseguimos concordar, sempre esperamos demais um do outro, sempre julgamos.

O problema é que eu quero alguém que tenha tempo de pensar em mim, que mesmo sabendo que eu não vou atender, me ligue. Que acorde de madrugada, e tenha o atrevimento de ligar, e dizer que me ama, que me quer por perto, que entenda o meu choro, que faça planos pra sempre, mesmo que sejam só planos, que converse comigo, que saiba de tudo sobre mim, que faça de um guardanapo amassado e manchado, com um eu te amo escrito, mesmo com garranchos, a mais bela carta de amor, nem precisa ser um poema. E você nunca percebeu que eu só queria isso.

É por isso que eu quero um tempo.

Devaneios #7




Todo dia um encontro, um novo diálogo. A cada dia que se passava surgiam novos assuntos, novas situações que os aproximava. Cada dia, cada vez mais.

Até que em um por acaso, ela descobriu que talvez a sua felicidade pudesse ser abalada, desestruturada. Era algo esperado, mas  mesmo percebendo que o tempo passava, ela não queria acreditar que a hora da despedida se aproximava.

Não era uma despedida de: Até nunca mais!, mas uma despedida de: Não vamos mais sentar ao lado do outro, “por acaso”.

Para outros não seria uma despedida tão dura, era só alguns poucos metros de distância, alguns passos, 3 poucos minutos, e pronto, próximos novamente, como se nada nunca os tivesse separado, mas ela se angustiava.

Passou a tentar criar por acasos, e por acasos, já que mudanças estavam ocorrendo em seu mundo, lugares sendo mudados. Ela sempre senta em um lugar para que quando ele chegasse pudesse vê-la, e aproximar-se, nem que fosse para um oi, e ele durante os últimos dias de sua estadia naquele local, soube corresponder as expectativas dela, e sentou-se próximo, conversaram sobre tudo, ninguém os impedia, era como se eles fugissem da realidade.

Antes de ir embora ele falou:

- Eu não ganho nenhum presente? Chocolate? Chiclete?

- Pode deixar comigo – ela respondeu.

- A noite pego com você.

Mas ele não apareceu.

Ele sabe



Acredito que Deus é perfeito, e sabe exatamente quando cada momento deve acontecer.

Não adianta chorar por um plano que não deu certo, um objetivo que não foi atingido, amor que não foi vivido, chuva que não caiu.

Deus te prepara, ajuda a levantar, te guia, te ensina. Sabe exatamente o que pode ser bom ou ruim. Te dá a oportunidade de tentar, para que então você possa se aperfeiçoar. Deus te capacita. E não adianta relutar. 

Tudo acontece quando Ele permite.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Devaneios #6



Que triste foi para ela ver que não poderia cumprir a promessa que lhe fez. Mas o êxtase daquela nova relação era maior, ela sabia, havia convencido-se que aquilo não poderia abalar a estrutura daquele novo relacionamento.

A cada dia que se passava, aproximavam-se mais, descobriam mais um do outro. Apelidos, cidades, trabalho, faculdades, mudanças. Ela encantava-se cada dia mais por ele.

Educado, doce, lindo, era assim que o via. E não se via como uma cega apaixonada. Afirma que percebeu seus dentes tortos. Adorava devanear nas lembranças diárias.

Continuava a provocar os por acasos da vida. O que seria deles sem todos os por acasos?

Foi em um por acaso que ela se encantou, e foi por seus por acasos que ele se aproximou. Por mais que suas intenções não fossem as mesmas, foi tudo, ou quase tudo obra do “acaso”.

E como todo início de relacionamento, mesmo a pouca distância momentânea não retirava seus sorrisos, “ois” calorosos, “boas tardes” animadas, “tchaus” com sorrisos sofridos.

Foi então que ela se deu conta, que mesmo que não quisesse, seria impossível não se encantar por alguém tão doce, tão real. E por mais que fosse uma máscara, uma farsa, e mesmo que se desse conta. Nada no mundo mudaria todo aquele emaranhado de sentimentos.

domingo, 8 de abril de 2012

Soneto do teu corpo - Leoni



Juro beijar teu corpo sem descanso
Como quem sai sem rumo prá viagem.
Vou te cruzar sem mapa nem bagagem,
Quero inventar a estrada enquanto avanço.

Beijo teus pés, me perco entre teus dedos.
Luzes ao norte, pernas são estradas
Onde meus lábios correm a madrugada
Pra de manhã chegar aos teus segredos.

Como em teus bosques. bebo nos teus rios.
Entre teus montes, vales escondidos.
Faço fogueiras, choro, canto e danço.

Línguas de lua varrem tua nuca.
Línguas de sol percorrem tuas ruas.
Juro beijar teu corpo sem descanso

sábado, 7 de abril de 2012

Devaneios #5

Ela não conseguia pensar em mais nada,não conseguia acreditar que aquele era o desejo dele, proximidade dela, e que sua companhia lhe era agradável. Sua felicidade era tanta e tão grande que não lhe cabia no peito, e ninguém era capaz de lhe tirar aquilo. Ninguém poderia lhe tirar aquela alegria.

Na mente dela, passavam-se cenas, de todas as suas tentativas de aproximação. E como o plano afobado, foi tão bem articulado, e como o diálogo desajeitado, foi tão bem dito. Ela não conseguia se convencer que havia ultrapassado uma barreira, conquistado mais um objetivo.

E então para tirar o seu sono, a vida promoveu mais um por acaso, de verdade. E ao vê-lo, mesmo que ocorresse quase todos os dias e noites, naquele momento foi único e especial.

Sem saber o que fazer e o que dizer, ao vê-lo iniciou um diálogo sem nexo, que ele soube direcionar. E após 3 longos e rápidos minutos, ele encerrou a noite:

"- Senta lá amanhã. - pediu ele.
-Sento sim. - respondeu ela."

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Deixa eu sentir

- Você estava chorando?
- Não. É sono e dor de cabeça.


E por que toda vez eu tenho que dar a resposta mais esfarrapada e mentirosa do mundo?


"- Tava chorando sim, e daí?

Ahhh, deixa eu ser eu. Deixa eu sentir.

Devaneios #4


E foi, depois de sonhar com ele, depois de provar seus possíveis beijos, sentir sua pele aveludada. Ela decidiu, iria tomar uma iniciativa, mudar toda a situação, aproximar-se dele, mesmo que lhes fosse perigoso, e pudesse desestabilizar suas vidas. Ela decidiu que não mais deixaria seus sonhos e desejos de lado, por medo de magoar ou machucar alguém.

Como ponta pé inicial, ela decidiu ultrapassar o "oi", deixar de lado o medo e restrições causadas pelas escolhas anteriores. Ela planejou um encontro, e não consegue se convencer de que ninguém tenha percebido. Era tudo armação, planejamento, os tantos por acaso que lhes aconteciam. Ela nunca conseguiu se convencer de que ele e mais ninguém percebeu.

Armou a situação, e quando ele se aproximou, levou um susto. Um novo encontro por acaso, o mais longo até o momento. E então ela confirmou, seu plano havia dado certo. Naquele momento percebeu seu diálogo não era mais feito de "ois" e "tudo bens".

Ela fez de tudo para chamar toda a sua atenção, passaram horas próximos, conversaram, diminuíram a distancia, um coro cantava em sua cabeça, vozes lhe diziam que perguntasse isso ou aquilo para ele.

Ahhh, nunca esqueceu daquele momento único. Queria ter ficado ali por toda a vida.

Ela percebeu que parte de seu plano havia dado certo, e quando estava em completo êxtase, havia chegado sua hora, todos temos horários, tinha que ir embora. Por um momento pensou que seu esforço havia sido perdido. E ele olhou e falou:

"- Senta aqui amanhã. Pra gente conversar."