Partes do meu mundo

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Todo amor

Todo amor que dou
Sinto.

Sinto dor.
Sinto medo.
Sinto amor.

Todo amor que sinto
Não dou.

Dou calor.
Dou atenção.
Não dou todo amor.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Eu te amo!



Ele disse: " Eu te amo!", e eu fiquei em silêncio.

Foi tão lindo e tão assustador. Aquele momento ficou marcado em minha memória, e eu, simplesmente não sabia o que dizer. Somente o abracei, como nunca havia feito antes, como nunca havia abraçado ninguém antes. Essa foi a minha maneira de responder, mas ele não entendeu.

Passados alguns dias ele veio com a sua observação, dizendo que eu não lhe havia respondido, coooomo assim? Eu respondi sim, em silêncio, mas não havia resposta mais sábia, resposta mais certa para aquele momento. Para mim pareceu uma espécie de cobrança, e eu não o julgo por isso, sempre esperamos algo em troca que para NÓS possua o mesmo valor ou maior, nunca menos.

Eu lhe disse então que sentia o mesmo, e se ele queria ouvir, eu lhe diria. E antes que eu dissesse qualquer coisa, ele me disse: "Só me diga se vier de dentro. Se for verdadeiro. Se quiser dizer." Então eu disse: "Eu te amo!".

Sim era o que eu sentia, mas eu tinha medo, eu tenho medo de me entregar, de deixar que saibam o que eu sinto, de que usem esses sentimentos e emoções contra mim. Sim, eu falei: " Eu te amo!", e repetiria novamente mil vezes, se fosse preciso, era o que eu sentia no momento.

Mas o tempo passou, passou-se anos. E aquele eu te amo, tornou-se uma obrigação, o tchau toda noite. Eu sempre tirei as palavras de dentro assim como ele me pediu. Em todas as vezes que eu disse, sim, era o que eu estava sentindo, sim, era o que eu queria dizer. Queria fazer com que ele lembrasse que eu o amo. Sim, amo muito.

Dizíamos eu te amo por mensagens, cartas e recadinhos. Ligávamos um para o outro só para relembrar. Dizíamos como bom dia. Falávamos juntos, sem perceber. Como uma espécie de conexão invisível.  Até que virou uma obrigação. Até que deixou de ser demonstração de afeto.

E então, ele, o mesmo que havia me cobrado, deixou de falar.

No início eu até pensei que fosse um lapso de memória, a correria do dia-a-dia, mas então virou constante. No meu desespero, eu sempre lhe dava indiretas, pedia para me amar também. Mas eu cansei. Cansei de pedir para me olhar, cansei de pedir para ME AMAR. Eu simplesmente cansei. Mas também me desesperei, como assim? A mesma pessoa que me cobrou, não me diz mais? Não manda mais torpedos? Não me escreve? Não me surpreende?

Mesmo que eu sentisse todo o amor do mundo, e mesmo que fosse o mais puro, mais ingenuo, mais forte, mais altruísta, não conseguiria sobreviver a isso.

E depois de cansada e desesperada, fui atrás de saber, tomei uma atitude. Bem que eu poderia ter ficado calada e quieta na minha. Me iludido, para simplesmente não chorar.

Lhe falei: " Você nem me diz mais me amar.".

Ele respondeu: " Uma vez li que só deveríamos dizer EU TE AMO, quando vem de dentro, quando é o que sentimos no momento.".

Eu perguntei: " Ahh! Então você não me ama mais?".

E ele já tinha uma resposta pronta, mas que não me convenceu: "Não se deve dizer de qualquer jeito.".

Ele poderia ter passado a noite inteira tentando explicar, mas ele já havia se declarado em suas palavras. O importante não é o eu te amo, e sim o que vem atribuído com isso. O valor disso. Várias outras frases e atitudes podem demonstrar o quão você gosta de alguém. Mas nem o mínimo ele me faz mais.

Antes de dormir, lhe mandei uma mensagem, que dizia mais ou menos assim: " É nas pequenas atitudes, palavras que são ditas, nos sem querer que as pessoas se mostram. Se houver pelo menos respeito, peço que me deixe, pois não posso viver com quem não sente amor."

Mas eu não recebi resposta.