Ela não conseguia esconder, era sempre a mesma coisa, todo dia na mesma hora, no mesmo lugar, passava por ele, fingia que não via, e no retorno olhava como se fosse por acaso, e ele estava aguardando a sua volta, sorriam um para o outro, e ela toda vez sentia como se fosse a primeira vez, como se fosse um olhar apaixonado.
Se ele sabia suas intenções, ninguém podia afirmar, e se alguém sabia de suas intenções, ela sempre afirmou que não. Em sua mente era óbvio, lógico todo esse por acaso, mas ela nunca soube se desconfiaram.
Tudo aquilo gritava dentro dela, tudo aquilo a deixava inquieta. Acordava, dormia, cantava, comia, sorria, estudava, pensando nele, aguardando por ele.
Eram sentimentos antagônicos, queriam que ficassem próximos e distantes, uma confusão de sentimentos, dentro da sua mente e coração. A vida havia lhes aproximado, ligando-os de diversas formas, tornando impossível um possível amor, relacionamento. E da mesma forma que os aproximava, os separava, os tornando intocáveis.
Mesmo que não fosse amor, era algo que não dava mais espaço para outra pessoa, para outros pensamentos ou sentimentos. E todo esse desejo invadiu seus sonhos, e como se fosse real, ela o sentiu mais perto do que um dia pensou.
Era tudo tão real que ela não pensou que só poderia estar sonhando, e não soube aproveitar aquele momento único, tão escondido e tão exposto, tão natural e tão surreal.
Ela nunca esqueceu seus beijos, ficou se perguntando se realmente era daquela forma. Foi o sonho mais real da sua vida, e lhe fez tomar decisões.
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